domingo, 24 de maio de 2009

IV Encontro Goiano dos Estudantes de Pedagogia

Nos dias 6 e 7 de junho de 2009 será realizado o IV Encontro Goiano dos Estudantes de Pedagogia que terá como tema: OS DESAFIOS NA FORMAÇÃO E ATUAÇÃO DO PEDAGOGO, em função da necessidade de compreendermos como o processo de reconfiguração do capital tem afetado as instituições de ensino superior, em um cenário em que decretos, projetos de lei, portarias são aprovadas paulatinamente configurando-se assim a reforma universitária perpetrada pelo governo de forma arbitrária e sem discussão com a comunidade acadêmica, criando as condições para que a universidade se torne uma grande fábrica de emitir diploma, secundarizando sua principal função social de compromisso com a comunidade na formação de pessoas críticas que façam análise da realidade abrindo espaço assim para sua transformação.

O objetivo de priorizar a emissão de diplomas vai a esse encontro e segundo Santos (2008),

elementos que se relacionem ao discurso dos organismos multilaterais aos interesses de grandes grupos econômicos amparados no discurso da importância da qualificação profissional e do desenvolvimento tecnológico como fatores-chave para o desenvolvimento econômico. Esse discurso postula uma lógica que justifica a expansão da educação superior nos moldes da expansão global do capital, salienta o investimento técnico na formação de professores e implementa a Educação a Distância (EaD), instrumento que materializa o esforço dos órgãos multilaterais, governos e universidades em cumprir o processo de expansão capitalista. Diante de tal realidade, a informação e o conhecimento, travestidos de possibilidades democráticas, representam interesses voltados para o comércio internacional e a privatização da educação (SANTOS, p.10, 2008).

Neste cenário se coloca a urgente necessidade de discussões acerca dos papéis do/a educador/a neste contexto, lutando por uma educação que esteja pautada nos interesses do povo brasileiro, que vive os percalços da reconfiguração do capital.

Consequentemente, a transformação desta sociedade como um todo deve ser situada como a solução final para uma melhoria de vida dos trabalhadores, educadores, camponeses aliada a formação da práxis do/a educador/a, frente a um cenário em que a sua formação se vê cada dia mais debilitada, aligeirada, permeada por uma expansão desenfreada em que se utiliza, muitas vezes, de novas tecnologias para aligeiramento do processo de formação.

Os pedagogos, enquanto trabalhadores/as da educação, por estar lidando diretamente com a realidade da educação pública, lidam diretamente com a responsabilidade e o compromisso com a mesma. Por isso, para que sejam agentes ativos do processo de construção de uma nova sociedade de fato democrática, justa, em que educação seja voltada para compromisso social, para a emancipação do sujeito e esteja a serviço da soberania nacional, os pedagogos devem se engajar nesse processo, atuando no sentido de despertar as consciências nos lócus em que atuam, pois somente os trabalhadores organizados podem empreender mudanças, o que pode de fato impulsionar a transformação da realidade. Como nos coloca Paulo Freire:

Uma das questões centrais com que temos que lidar é promoção de atitudes rebeldes em posturas revolucionárias que nos engajam no processo radical de transformação do mundo. A rebeldia é ponto de partida indispensável, é deflagração da justa ira, mas não é suficiente. A rebeldia enquanto denúncia precisa de alongar até uma posição mais radical e crítica, a revolucionária, fundamentalmente anunciadora (Freire 2005, p. 79).

Assim, o papel do/a educador/a torna-se estratégico para uma revolução educacional, que somente pode se efetuar por meio de uma revolução social de toda a sociedade como um todo, dado que grande parte da população, durante sua trajetória de vida entra em contato com o espaço escolar, este se torna um lócus de propagação destas idéias. Daí a importância de sermos educadores/as comprometidos/as com uma formação baseada nestes preceitos e que implique pesquisa, criticidade, respeito ao saber dos/as educandos/as, autonomia, luta, alegria, esperança, comprometimento, liberdade, autoridade, disponibilidade para o diálogo, em fim, convicção de que a mudança é possível e necessária. E acreditamos que essa mudança só se tornará real por meio de uma revolução, compreendida aqui, conforme nos coloca Florestan Fernandes:

A revolução em processo, que caracteriza a presença e o papel construtivo das classes trabalhadoras na história, não é só uma revolução anti-capitalista e anti-burguesa ela é uma revolução socialista, que se negará como tal na medida em que o socialismo se converter, por sua vez, em padrão de uma nova civilização, culminando em seu eixo final que desemboca no comunismo (Fernandes, 1981).

Além disso, no IV EGEPe, o/as estudantes de pedagogia discutirão sobre sua própria organização a nível Nacional (ExNEPe) e Estadual (Executivas Estaduais), a aprovação do Estatuto, bem como discussões acerca do Movimento Estudantil da Pedagogia.



Cidade Sede do Encontro

Goiânia, Goiás


Local

Faculdade de Educação/UFG


Comissão Organizadora

Executiva Goiana dos Estudantes de Pedagogia

C.A. Pedagogia FE/UCG


* Em breve, informações sobre a programação e inscrição para o evento.